Trip Tips: Tour Amazônico

Como falei no post sobre o restaurante Banzeiro, passei um final de semana em Manaus recentemente e adorei conhecer um pouco (bem pouco mesmo) a região amazônica! Foi minha primeira vez no Norte do país.



Até mesmo pela minha falta de tempo, resolvi fazer um passeio de barco bem turistão, mas que cobria o pacote básico do lugar. O tal passeio é oferecido por diversas agências de turismo, dura o dia inteiro e inclui, além do transporte:

- encontro das águas (rio Negro e Solimões),
- "pesca ecológica" de pirarucus,
- fotos com "animais selvagens",
- almoço em restaurante flutuante (comida inclusa e liberada, bebidas à parte),
- artesanato indígena
- lago das vitórias régias
- nado com botos e 
- visita à "aldeia indígena".

Ao longo do post vou explicar o porquê das muitas aspas usadas acima.

Fechei meu passeio pela agência Amazon Riders, que foi indicada por uma pessoa conhecida, mas existem várias outras confiáveis. Pagamos R$150,00 por pessoa e esse é meio que o preço, com pequenas variações. Se cobrarem mais que isso, pechinche! Uma outra agência me cobrou R$200,00 para fazer exatamente o mesmo passeio.

É possível também fazer apenas metade do passeio (você volta para a cidade após o almoço), mas o valor não compensa - R$ 120,00. Vai da preferência de cada um.

Cada grupo tem em média 30 pessoas.

Agora sim, a minha experiência:

Fomos buscados de van no hotel às 8:30 e levados para o porto de Manaus. Lá fomos encaminhados para o barco e apresentados ao guia. O meu guia foi o James, que falava inglês bem e explicava tudo ao longo do caminho.

Já de início fiquei impressionada com o tamanho do rio Amazonas e da ponte Rio Negro.

Primeira parada: encontro das águas (que dá o nome ao passeio), onde vemos o Rio Negro e o Solimões tentando se juntar para formarem o Rio Amazonas. 



Assim... Não é nada demais! É interessante e tal, mas está longe de ser a coisa mais legal do passeio. Mesmo assim, o barco para para que todos possam tirar fotos.

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Depois, vamos para a tal "pesca ecológica" dos pirarucus. Na verdade, o guia já explica antes que o que acontece é uma brincadeira, onde os turistas podem amarrar um peixe numa linha sem anzol e dar para os pirarucus, apenas para que você sinta a força do peixe.

Paramos então nessa estação flutuante.

Para essa "brincadeira" você tem que pagar mais R$5,00 por pessoa, para ajudar a comunidade indígena, segundo eles.




Já aqui começou meu problema com esse tour. O que eu vi foi um tanque minúsculo, onde eles deixam confinados vários peixes que podem ultrapassar 2 metros de comprimento e 200 quilos! Ou seja, é um animal grande e pesado que, obviamente, precisa de espaço para viver e se desenvolver decentemente. 

Perguntei para um dos responsáveis pelo lugar e ele confirmou que os peixes vivem ali confinados mesmo. Nada de descanso, nada de passar para um espaço maior. No meio da estação é possível ver um criadouro com diversos peixes menores.

O que ficou bem claro, é que de ecológica essa brincadeira não tem nada!

Já nessa estação, assim como em todas as outras, é possível comprar algo do artesanato indígena.

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Depois, fomos para outra estação flutuante para tirar fotos com os bichos. Ainda no barco, o guia diz que é sugerido dar uma contribuição.




Eu já sabia que não ia querer tirar essas fotos, chegando lá confirmei o que eu achava. Tinha duas cobras bem grandes e um bicho preguiça que os descendentes indígenas ficam passando de pessoa em pessoa para um clique e uma gorjeta.

As cobras e a preguiça parecem que estão semi-vivas. Eu sei que o bicho-preguiça é devagar e quietinho, mas não é natural ficarem colocando ele no colo de 30 pessoas em 5 minutos! A preguiça é a coisa mais fofinha do mundo e eu fiquei com muita pena. Até das cobras (que, confesso, não me simpatizo muito) fiquei com dó.

Não é meu tipo de entretenimento, mas pelo visto é o da maioria. Tirando eu e mais umas quatro pessoas, todos os outros turistas garantiram a selfie.

Lá também tem um pouco de artesanato para vender.

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De lá partimos para a parada seguinte: uma estação flutuante bem grande com o restaurante Rainha da Selva, um pequeno mercado de artesanato indígena e atrás uma ponte para o lago das vitórias régias.




Refrigerante típico da região. Muito parecido com o "Mineirinho" que tinha aqui no Rio.

O restaurante é no estilo buffet liberado com todas as formas possíveis de se comer pirarucu e tambaqui (até lasanha de peixe tinha), mas também tem arroz, batata frita, aipim/mandioca frita, farofa, saladas e frutas. As bebidas são pagas à parte.

Após o almoço, é possível fazer compras de lembrancinhas no mercado de artesanato indígena, uma casinha flutuante adjacente com vários "stands" que vendem praticamente as mesmas coisas e com preço tabelado.



Depois, passamos por uma passarela onde é possível ver muitos macaquinhos. Eles são bem fofinhos e eu não vi ninguém dando comida para eles, mas com certeza tem gente que dá. Eles são bem acostumados com humanos e não vi nenhuma atividade ~suspeita~ (tipo pegarem comida ou objeto das mãos das pessoas ou atacarem alguém).





Passando por essa ponte chegamos no lago das vitórias régias, que são realmente grandes e bonitas:


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Voltamos para o barco e partimos para o tão esperado nado com os botos. Esse trajeto é o mais longo do passeio e dá pra dar aquela cochilada boa pós-almoço.

Mais uma vez paramos numa estação flutuante. Para o mergulho, são separados grupos de 10 a 15 pessoas (apesar das placas dizerem que só podem 10) e enquanto espera a sua vez, é possível comprar uma bebida ou salgadinho ou, mais uma vez, artesanato (em escala bem menor).






Eu tenho medo de mergulhar em rio (não me julguem) e fiquei só tirando fotos mesmo.

Antes de entrar, todos são obrigados a vestir colete salva-vidas e recebem instruções básicas como não tocar nos botos (principalmente no topo da cabeça) e não gritar (o que é meio difícil de conter). Junto com o grupo vai um instrutor que é o único autorizado a dar comida aos botos.

O guia e os funcionários dessas plataforma todos dizem que não tem redes e que os botos são criados livres. Eu realmente não vi nada que indicasse o contrário. O que fica claro é que os mamíferos já sabem que naquele lugar e naqueles horários tem comida fácil e acabam se acostumando com as pessoas.

O mergulho é bem rápido (dura menos que 10 minutos) e garante as fotos e a diversão. Agora o que eu preciso contar aqui é que no grupo em que meu namorado estava, um homem teve um dedo do pé mordido por - ao que tudo indica - uma piranha

Ele saiu da água sangrando muito e o pessoal rapidamente fez um curativo e brincou sobre a "lembrança" que ele ia levar para Amazônia, mas não vi eles alertando ninguém sobre esse perigo.

Taí meu medo de rio justificado!

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Depois que todo mundo retorna ao barco, vamos em direção à última parada: ritual indígeno na aldeia dos índios Tukano e Dessana.

Na verdade, a gente chega numa área em que está construída uma oca, onde os descendentes indígenas encenam versões curtas dos seus rituais de oferta. Eles falam português (e até inglês!), usam sunga ou short e são bem simpáticos. 

São umas três danças e no final eles chamam as pessoas para dançarem com eles.

Após, você pode tirar fotos com eles (e, como sempre, sugere-se uma contribuição) e, claro, comprar artesanato!






Apesar de ter a plena consciência que tudo ali era totalmente turístico, fiquei muito encantada com o que vi! Nunca tinha visto um ritual indígena de perto e fiquei ainda mais curiosa por essa cultura!

Nesse lugar, tem uma praia (praia de rio, como todas por lá) onde pode-se tomar banho.

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Depois, hora de voltar! Leva mais ou menos uns 40 minutos até o porto de Manaus e de lá pegamos a van de volta para o hotel. Chegamos no hotel por volta das 18:00.


Vista da volta, mesmo com o dia meio nublado, um espetáculo!

Considerações finais:

 Indicações básicas para esse passeio: roupas leves e confortáveis (faz MUITO calor), roupa de banho e toalha, protetor solar e repelente!

Não se faz nenhuma trilha, então é tranquilo ir de rasteira ou chinelo.

• Minha viagem foi no início de setembro e é considerada a época mais quente. Não tem aquela tradicional chuva no fim do dia, que acontece no período chuvoso (fim e início do ano).

 Uma coisa que me surpreendi é que quase em todos os lugares pega celular e tem máquina de cartão. É sempre mais seguro levar dinheiro, claro.

Também em quase todas as paradas tem banheiro.

 Gostaria muito de não ter visto esses flagrantes desrespeitos aos animais. Considerando a fauna e a flora riquíssimos da região amazônica e as tão faladas atividades predatórias que ameaçam o ambiente, era de se esperar que as agências de turismo se preocupassem mais em preservar tudo isso. Até porque eles adotam esse discurso. Difícil é praticar.

Se alguém tiver indicação de passeios mais "crueltyfree", eu aceito!

 Também pude observar na paisagem alguns pontos de extração de madeira. Não tenho ideia se legais ou não. Espero do fundo do meu coração que sim.

As agências oferecem diversos passeios que duram mais dias e fazem uma incursão mais "selvagem". Também é possível se hospedar em hotéis no meio da mata e ficar ainda mais em contato com a natureza.

 Eu já sabia, mas com essa viagem tomei ainda mais consciência da diversidade do nosso país. O Brasil é tão grande que cada região tem sua particularidade, paisagem e cultura totalmente diferentes umas das outras. Isso é incrível!!! 

Fiquei com mais vontade de explorar o norte do país e outros destinos nacionais que sempre quis conhecer! Sempre ouvi que o brasileiro tem a tendência a conhecer muito mais do exterior do que seu próprio território e eu acabo comprovando esse clichê. Pretendo mudar isso!

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Espero que esse longo post tenha ajudado quem está pensando em conhecer Manaus ou até mesmo nunca pensou, mas agora ficou curioso.

Qualquer dúvida, é só deixar nos comentários!

*Todas as fotos deste post pertencem ao blog

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